O mundo virtual em que vivemos

O mundo virtual em que vivemos parece um sonho, tudo pode ser realizado, tudo pode ser comprado, tudo pode ser uma maravilha, mas, a vida real na verdade é uma mistura de mundo virtual e mundo real. O mundo real é mais cruel e implacável com todos, principalmente aqueles desamparados que já nascem no mundo real, só que sua vida já é virtual, pois não tem nada para superar os desafios da sobrevivência, a não ser, se tornar uma pessoa virtual vagando por aí.

Este texto abaixo recebi em um comentário e achei interessante e tem tudo com milhões de pessoas que vivem neste mundo tão sem nada que podemos chama-las de pessoas virtuais.

É lamentável que o mundo se junte e gaste bilhões de dólares, ou seja já chegaram nos trilhões para salvarem banqueiros e especuladores das bolsas de valores, mas quando alguém fala em formar um fundo para dar ajuda ao povo que está morrendo de fome, ninguém faz nada e só dizem que precisamos estudar, ou seja:

“O povo que morra de fome, vamos salvar os banqueiros”

Texto recebido – autor não informado ou desconhecido.

“Entrei apressada e com muita fome no restaurante. Escolhi uma mesa bem afastada do movimento, pois queria aproveitar os poucos minutos que dispunha naquele dia atribulado, para comer e consertar alguns bugs de programação de um sistema que estava desenvolvendo, além de planejar minha viagem de férias que há tempos não sei o que são. Pedi um filé de salmão com alcaparras na manteiga, uma salada e um suco de laranja, afinal de contas fome é fome, mas regime é regime, né? Abri meu notebook e levei um susto com aquela voz baixinha atrás de mim:
-Tia, dá um trocado?
-Não tenho, menino.
-Só uma moedinha para comprar um pão.
-Está bem, compro um para você.
Para variar, minha caixa de entrada está lotada de e-mails. Fico distraída vendo poesias, as formatações lindas, dando risadas com as piadas malucas. Ah! Essa música me leva a Londres e a boas lembranças de tempos idos.
-Tia, pede para colocar margarina e queijo também.
Percebo que o menino tinha ficado ali.
-Ok. Vou pedir, mas depois me deixe trabalhar, estou muito ocupada, tá?
Chega a minha refeição e junto com ela meu constrangimento. Faço o pedido do menino, e o garçom me pergunta se quero que mande o garoto ir embora. Meus resquícios de consciência me impedem de dizer. Digo que está tudo bem..
- Deixe-o ficar. Que traga o pão e, mais uma refeição descente para ele.
Então ele sentou à minha frente e perguntou:
-Tia, o que está fazendo?
-Estou lendo uns e-mails.
-O que são e-mails?
-São mensagens eletrônicas mandadas por pessoas via Internet (sabia que ele não ia entender nada, mas, a título de livrar-me de maiores questionários disse):
-É como se fosse uma carta, só que via Internet.
-Tia, você tem Internet?
-Tenho sim, essencial ao mundo de hoje.
-O que é Internet ?
-É um local no computador, onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar, trabalhar, aprender. Tem de tudo no mundo virtual.
-E o que é virtual?
Resolvo dar uma explicação simplificada, novamente na certeza que ele pouco vai entender e vai me liberar para comer minha refeição, sem culpas.
-Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos pegar,tocar. É lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer. Criamos nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que fosse.
-Legal isso.. Gostei!
-Mocinho, você entendeu que é virtual?
-Sim, também vivo neste mundo virtual.
-Você tem computador?
-Não, mas meu mundo também é desse jeito… Virtual. Minha mãe fica todo dia fora, só chega muito tarde, quase não a vejo, eu fico cuidando do meu irmão pequeno que vive chorando de fome e eu dou água para ele pensar que é sopa, minha irmã mais velha sai todo dia, diz que vai vender o corpo, mas não entendo, pois ela sempre volta com o corpo, meu pai está na cadeia há muito tempo, mas sempre imagino nossa família toda junta em casa, muita comida, muitos brinquedos, de natal e eu indo ao colégio para virar médico um dia. Isso é virtual, não é tia?
Fechei meu notebook, não antes que as lágrimas caíssem sobre o teclado. Esperei que o menino terminasse de literalmente “devorar” o prato dele, paguei a conta, e dei o troco para o garoto, que me retribuiu com um dos mais belos e sinceros sorrisos que já recebi na vida e com um “Brigado, tia, você é legal!”.
Ali, naquela instante, tive a maior prova do virtualismo insensato em que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel rodeia de verdade e fazemos de conta que não percebemos!”

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